04/02/2007

Vivendo com o inimigo

Fonte: O Globo

Produtos usados em casa podem ser mais nocivos do que a poluição externa

Pouca gente se dá conta mas, em tempos de preocupação com a poluição ambiental, o perigo maior pode estar mesmo dentro de casa. Principalmente hoje, diante do uso indiscriminado de produtos de limpeza e pesticidas, a cada dia mais fortes. A conclusão é da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor Pro Teste, que acaba de lançar um alerta com base em estudo que diz que o ar das residências pode ser tão ou mais perigoso do que o do ambiente externo.

São goteiras e infiltrações. Ácaros alojados em mobílias, tapetes e roupas de cama. Animais de estimação. Produtos de limpeza. A relação de inimigos é grande e convive com cada um de maneira intensa. Portanto, é preciso observar os cuidados a serem tomados para evitar problemas.

— Assim como a poluição externa, a maioria dos produtos nocivos que costumamos utilizar dentro de casa tem efeito cumulativo e potencial para causar alergias, problemas respiratórios e pulmonares — explica a coordenadora da área Técnica de Produtos da Pro Teste, Alessandra Macedo.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), Evandro Alves do Prado, os principais inimigos são os ácaros, que se proliferam em roupas de cama e cortinas, e os pêlos de animais.

— Após a primeira manifestação clínica, pessoas predispostas à alergia voltam a ter o problema sempre que estiverem em contato com o fator alergênico. Por isso, muita gente acorda espirrando e melhora quando sai na rua — explica Prado, lembrando que, neste caso, existem tratamentos por meio de remédios ou vacinas.

Já os produtos de limpeza, os inseticidas e os aerossóis — que, quando contêm clorofluorcarbonos (CFCs), ainda provocam a degeneração da camada de ozônio — são fatores irritantes e não alergênicos:

— Por isso, não existe tratamento para isso. A única coisa que se pode fazer é restringir o uso — acrescenta o especialista.

Nada de trancar a casa, quando usar inseticida

A conseqüência da exposição a determinados produtos e substâncias, no entanto, pode causar mais do que uma irritação. Alessandra chama a atenção, por exemplo, para o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio liberados por aquecedores e fogões a gás mal regulados, que podem causar danos ao sistema nervoso e cardiovascular, além de asfixia. E para quem não vive sem ar-condicionado, manutenção e limpeza do equipamento são fundamentais:

— Aparelhos de ar-condicionado são os maiores recipientes de microorganismos nocivos à saúde. Até na hora de lavar o filtro, onde se acumula toda a poeira, é preciso se prevenir para que a poeira não seja inalada.

Os mais prevenidos — que optam por inseticidas, tintas de parede e de cabelo sem cheiro — devem saber que um produto não é inofensivo por ser inodoro. É importante, diz Alessandra, usá-lo de forma criteriosa. E só em caso de necessidade. No caso do inseticida, nada de deixar o cômodo trancado para potencializar o efeito do produto:

— É fundamental que os ambientes sejam arejados e abertos algum tempo após a aplicação do produto. E isso deve ser feito quando não tiver gente em casa.

Animais de estimação fizeram parte do levantamento da Pro Teste. Não é preciso abrir mão deles, mas a recomendação é evitar que freqüentem os quartos da casa. A orientação acontece porque tanto o pêlo quanto a saliva dos bichos podem provocar alergia.

A casa aconchegante, cheia de almofadas, cortinas e piso acarpetado também pode ser terreno fértil para o acúmulo de ácaros. Quem não abre mão desses itens deve ter uma preocupação extra com a limpeza. Se não há tempo para tamanha dedicação, o ideal é investir em pisos cerâmicos ou de madeira e cortinas do tipo persiana, cuja manutenção é mais fácil. As roupas de cama devem ser lavadas, preferencialmente com água quente.

O método a que as roupas são submetidas na lavagem é outro capítulo em destaque. O estudo ressalta que lavagem a seco deve ser restrita a peças que exijam esse processo.

— Lavagem a seco, de seco não tem nada. As roupas que passam por esse processo recebem uma carga de dezenas de elementos químicos. Por isso mesmo, não se deve usar o recurso de maneira indiscriminada — alerta Alessandra, explicando que processos alérgicos não se manifestam, necessariamente, após o primeiro contato com determinado produto. — As pessoas podem conviver com determinada situação durante um tempo e anos depois desenvolver intolerância a ela.

Quem tem criança em casa, por sua vez, já sabe o quanto a atenção deve ser redobrada. É verdade que a cozinha é um dos ambientes da casa onde eles não deveriam sequer entrar para evitar acidentes. Mas, não é só. Os pais devem estar atentos mesmo quando eles estão mexendo nos brinquedos.

-— Não são só os bebês que colocam coisas na boca. É preciso deixar longe das crianças qualquer brinquedo que não seja indicado para a sua faixa etária — ressalta a coordenadora da Pro Teste.

 

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